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sábado, 13 de junho de 2009

CONFISSÕES





Anjos aspiram por libertarem-se. Anjos negros como a noite escura, e a escuridão é a essência da qual germina a luz que evidencia todos os males. Não são anjos, em sua pureza etérea eles não existem, são demônios e fazem de mim inferno, inconformados que eu os possua querem eles me possuir, a atormentarem, sádicos, minha frágil razão.

Nesse dias em que eu mergulho na minha mais profunda escuridão e tento enxergar minha alma, e me aventuro a indagar o que há de verdadeiramente mim no eu, o vazio, eterna chama, parece queimar-me mais intenso, arde num desejo absoluto de desejar.

É quando o mundo a minha volta já não me atrai nem me desperta. Dentro de mim a um tudo e um todo tão singulares, intrigantes e instigantes que não consigo fugir ao fascínio que me causam. Nesse momento, então, meu ódio só é tão voraz quanto o meu amor, e me consomem em par, inteira.

De repente uma forte dor me toma. Uma dor aguda. Uma dor que trans-passa o âmago de minhas angústias e a sinto também eu meu corpo, como se o mal-ser de dentro de mim se externasse em um mal-estar.

Sequer me atrevo a desejar a morte, sono eterno, pois, se ao dormir também nos vem o inconsciente à consciência torturar-nos com os nossos medos, na morte, então, viria o escárnio por tal covardia.

Há dias em que me perco, me desconstruo, me desespero...

Texto de k.t.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O DESPERTAR




“O primeiro raio de sol lancina como que a sentenciar a vil verdade: Tudo o que houvera antes era treva”.

Perdi minha alma.

E minha inocência.

Perdi, não que fora entregue ou roubada. Simplesmente acordei certa manhã de um sono letárgico, um sonho que me entorpecera por dias seculares, e agora, infelizmente ou felizmente, eis-me desperto.

Percebo que o mundo a minha volta já não é o mesmo, embora permaneça o de sempre. Eu não sou a mesma. E, pela primeira vez, encontro alguma graça no ar que entra em meus pulmões, a graça natural que a vida tem para quem se descobre vivo de repente. Mas abrir os olhos exige uma humana coragem que nem todos os humanos possuem, dói, e mantê-los abertos exige grande determinação. Para nós, fracos mortais, que tingimos o mundo com inúmeras cores quando, na verdade, o sabemos cinza e o fazemos negro, que construímos nossas tão gentis verdades sobre as mentiras mais vis, para nós tem que sempre haver um caminho, um único e indesviável, o qual nos leve a algum lugar que não a incerteza do abismo.

Criamos o certo para amarmos o errado, e esperamos o tempo todo que algo aconteça para nos desviar, que lobos apareçam para nos devorar e afastar de nós o fardo da responsabilidade por nossas próprias escolhas. Ser livre é ser cativo apenas de si mesmo. E em meio a tudo, transitando entre deuses e demônios, infernos e paraísos pré-construídos, está minha frágil figura, frágil por minha efemeridade diante do tempo e por minha inconstância e por minha constância, por lutar incessantemente contra a animalesca essência que habita em meu sangue.

Viver é desafiar-se, descobrir-se contrario a si mesmo, jogar-se, perder-se, temer e não regredir diante do incerto, pois, na vida, a única coisa que é certa é que um dia ela se extinguirá.


texto de k.t.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"De que me adianta fugir, da morte, dor ou perigo, se me eu levo comigo..."
(Luis de Camões)